sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Questões nada inéditas no Enem

Ano passado já fiz uma postagem a este respeito: questões que, ao contrário de serem inéditas, são questões repetidas, já vistas, e, no máximo, um pouco transformadas para aparecerem no Enem.
 
Vejamos o que diz as “Concepções e Fundamentos do Enem”, documento do lançamento, de 1998:
“A base epistemológica do Enem, portanto, tem como principal fundamento o conceito de cidadania, dentro de uma visão pedagógica democrática que preconiza a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.”
 
Ora, não há pensamento crítico numa questão repetida! Trata-se simplesmente de decoreba, puro e simples! Daí, dentre tantas outras, uma das grandes críticas ao Vestibular, tradicional! Além do que, o próprio Inep divulga que os itens devem ser inéditos, e isto é um critério de qualidade:

"Critérios de Qualidades da Elaboração: ser inédito; atender a uma habilidade das Matrizes de Referência fornecidas pelo Inep, abordar temática relevante,..."
 
Reconhecendo que o Inep não tem como conhecer todas as questões, de todos os vestibulares do Brasil, das últimas décadas, entende-se que uma ou outra questão, semelhante à anteriores, possa passar desapercebida. Mas, nada justifica o próprio Inep repetir em dois exames seguidos uma questão! Ou outras, de tão manjadas, facilmente seriam identificadas como repetidas! 


Veja o caso abaixo, de uma questão que poderia ser de Física, mas veio na prova de Matemática agora, em 2010.

Se você seguir o link, verá que o texto foi copiado do Efeito Joule! O que é absolutamente normal, posto que as questões devem ser contextualizadas e várias se baseiam, também, em sítios da internet.
 
Agora note a questão 58 da prova amarela, abaixo.

A mesma questão da seringa e da pressão influindo na mudança de fase veio na Fuvest, em 1991. Compare abaixo.

Porém, antes disto, quando eu ainda era estudante, já conhecia esta questão, pois está no livro em que estudei, e gosto: “Curso de Física”, vol. 2, Beatriz Alvarenga e Antônio Máximo.

E a questão 72, na mesma prova amarela, do ‘relógio’ do padrão de energia elétrica?



Ora, bolas... Caiu no CEFET/MG, para o curso Técnico (8ª/9ª série), em 2004, conforme se vê a seguir.

Um dos motivos de não ser possível implantar a sugestão simplista de alguns especialistas, fazer vários Enems ao longo do ano, menores, portanto menos trabalhosos, é justamente não se ter ainda um banco de questões que a TRI exige em volume adequado. Afinal, o Novo Enem é do ano passado! E é difícil produzir questões de fato inéditas em série.

Mas, o espírito do Enem exige que as questões sejam realmente diferentes. Estas repetições, ainda bem, são uma minoria. Que continuem assim, no máximo uma ou outra. Ou, do contrário, voltaremos ao mesmo esquema do Vestibular!

2 comentários:

  1. Olá, Professor!

    Eu li o seu post anterior sobre questões não inéditas no ENEM e também fiquei no mínimo surpreso. Mas tenho que deixar algo claro no caso da questão com referência ao Efeito Joule. A questão é realmente inédita visto que ela não está no meu blog, e sim, o texto que serviu de referência para a questão. Como eu disse no post que fiz para a questão: O texto “resistência elétrica e dimensões do resistor” serviu como referência para uma questão da prova de Matemática e suas tecnologias do ENEM 2010.

    Dizer que esta questão não é inédita porque o texto de referência estava no Efeito Joule é o mesmo que dizer que as questões com textos da Folha de São Paulo, ou do portal UOL Educação não são inéditas. Apenas o texto já era conhecido e não a questão.

    Parabéns pelo bom trabalho aqui no Quantizado, professor Rodrigo! Assino o feed e recomendo a todos os visitantes do meu blog.

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  2. Grato, Vanks! Esclarecimento publicado.

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